segunda-feira, 5 de abril de 2010

EL PONIENTE QUE NO SE CICATRIZA...


Já que me referi à Borges (1899-1986) no meu último texto (Memória Crepuscular) resolvi postar também o poema que inspirou o mesmo. Agradeço e ofereço o post à Raquel (amiga e sócia) que me apresentou este escritor fantástico com esses mesmos vesos sobre el poniente. Do escritor argentino Jorge Luis Borges "Campos aterdecidos" (Campos entardecidos).

campos aterdecidos


El poniente de pie como un Arcángel
tiranizo el camino.
La soledad poblada como un sueño
se ha remansado alrededor del pueblo.
Los cencerros recogen la triteza
dispersa de la tarde. La luna nueva
es una vocecita desde el cielo.
Según va anocheciendo
vuelve a ser campo el pueblo.

El poniente que no se cicatriza
aún le duele a la tarde.
Los trêmulos colores se gurecen
en las entrañas de las cosas.
En el dormitorio vacío
la noche cerrará los espejos.


campos entardecidos

O poente em pé como um Arcanjo
tiranizou o caminho.
A solidão povoada como um sonho
remanseou-se ao redor do vilarejo.
Os cincerros recolhem a tristeza
dispersa dessa tarde. A lua nova
é um fio de voz que vem do céu.
Conforme vai anoitecendo
volta a ser campo o vilarejo.

O poente que não cicatriza
ainda fere a tarde.
As cores trêmulas se acolhem
nas entranhas das coisas.
No aposento vazio
a noite fechará os espelhos.


Extraído da obra BORGES, Jorge Luis.PRIMEIRA POESIA. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.


Mais Borges? Visite:

http://www2.fcsh.unl.pt/borgesjorgeluis/

http://amediavoz.com/borges.htm

http://antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/argentina/jorge_luis_borges.html



3 comentários:

  1. ai que emoçao.. como eu tow chic!

    aiaiaia... e o Borges?!! tantos pores do sol!

    raquel g. mesquita

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  2. é poesia q vc quer? pois tome, tome, tome...
    porque minhas noites ja foram embaladas por Affonso Romano de Sant'Anna.

    Poemas para a Amiga
    (Fragmento 2)


    Eu sei quando te amo:
    é quando com teu corpo eu me confundo,
    não apenas nesta mistura de massa e forma,
    mas quando na tua alma eu me introduzo
    e sinto que meu sangue corre em ti,
    e tudo que é teu corpo
    não é que um corpo meu
    que se alongou de mim.
    Eu sei quando te amo:
    é quando eu te apalpo e não te sinto,
    e sinto que a mim mesmo então me abraço,
    a mim
    que amo e sou um duplo,
    eu mesmo
    e o corpo teu pulsando em mim.


    raquel g. mesquita

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