domingo, 16 de maio de 2010

VARAIS



Penduro-me em varais de quintais velhos,

Pra me refrescar e quem sabe

Secar as lágrimas ao sabor dos ventos.


Primeiro me lavo, esfrego, enxaguou bem.

Ensabôo e alvejo.

Depois torço e retorço meu coração:

Sujo, cansado, surrado.


Fico exposto ao sol, ao perigo, à vida,

E quem sabe aos meninos malinos

Que derrubam ou sujam as roupas limpas

E irritam quem quer tudo limpo, polido.


Fico dependurado em janelas esperando, me secando...

O sol castiga, o vento alivia,

Os prendedores me doem na carne.


Eu me desgasto com o uso, com o tempo, com o morfo.

Amacio, centrifugo, me passo, engomo

Dobro-me, me guardo:

Guarda - roupas, cruzeta, naftalinas.


Emilson Lopez

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