quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

LABIRINTO


Não haverá nunca uma porta. Estás dentro
E o alcácer abarca o universo
E não tem nem anverso nem reverso
Nem externo muro nem secreto centro.
Não esperes que o rigor de teu caminho
Que teimosamente se bifurca em outro,
Que obstinadamente se bifurca em outro,
Tenha fim. É de ferro teu destino
Como teu juiz. Não aguardes a investida
Do touro que é um homem e cuja estranha
Forma plural dá horror à maranha
De interminável pedra entretecida.
Não existe. Nada esperes. Nem sequer
No negro crepúsculo a fera.

Jorge Luis Borges - Elogio da Sombra

Um comentário:

  1. ooolha, so quem le borges.. ele é mara
    "El poniente que no se cicatriza
    aún le duele a la tarde."

    adoooro
    tai o link pra tu pegar a obra completa dele
    http://www2.fcsh.unl.pt/borgesjorgeluis/

    raquelgmesquita

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